Escola: espaço para falar temas polêmicos?

Conversar com as crianças sobre assuntos considerados tabus, como sexualidade, depressão, suicídio, luto, abuso ou violência, é importante, mas muitos pais têm dúvidas sobre como abordar essas questões. Será que a escola é o lugar certo para isso? E os livros, podem ajudar?


Na escola

O professor Eduardo Calbucci, fundador do Programa Semente, explica que conversar sobre essas questões no ambiente escolar tem algumas vantagens. Uma delas é que as crianças são agrupadas por faixa etária e, normalmente, a dúvida que elas têm é comum aos demais colegas. Já fora do ambiente escolar, ela pode conviver com crianças de idades diferentes, primos ou irmãos mais velhos, por exemplo, que têm outras experiências de vida e questionamentos.

Em casa

Em casa, muitas vezes, os pais se sentem culpados por não saberem como abordar esses assuntos. Segundo Calbucci, é comum a família ter esse tipo de dúvida e, nessas situações, o mais indicado é procurar um especialista para ajudar, que pode ser o pediatra, um psicólogo, o professor ou o coordenador pedagógico da escola. “É por isso que os pais devem procurar um colégio que tenha valores e princípios parecidos com os seus. Família e escola precisam estar alinhadas”, diz.

Em parceria com os pais e a família, a escola também deve impulsionar discussões e, assim, estimular o pensamento crítico dos alunos, informando-os e conscientizando-os sobre diversos temas. O futuro depende das novas gerações, tornando de extrema necessidade colaborar para a formação de alunos que sejam cidadãos conscientes e participativos na sociedade.

E os livros, ajudam?

Algumas situações não são fáceis para ninguém – nem para as crianças, que muitas vezes já enfrentam perdas e medos ou vivenciam desentendimentos e conflitos.

É aí que alguns livros podem ajudar a falar temas sobre situações difíceis, algumas ainda considerados tabus na infância, como morte, doença e guerra.

Longe de colocar um ponto final nesses assuntos, diversas obras literárias ampliam rotas que permitem que a criança construa seus próprios sentidos e encontre as respostas que julga necessárias naquele momento.

Livros que falam sobre bullying, tristeza, medo, perdas familiares e apreensão são oportunidades para criança ver que esses assuntos são vividos e permitidos na infância e tudo bem passar por isso.

Complicamos o que é simples e simplificamos o que tem complexidade

De acordo com a psicóloga Rosely Sayão outro problema é que estamos sempre tentando evitar o sofrimento, como se fosse possível evitar. Às vezes as experiências negativas também trazem benefícios. O importante é a forma de mediar esses sentimentos e existir abertura entre pais e filhos. Assim também a criança se sentirá segura para conversar sobre estes assuntos na escola e com os amigos.


A literatura é um aliado das crianças para que possam lidar com sensações negativas?

Sim, a literatura é fundamental na formação psíquica da pessoa desde o útero materno.

Psicólogos afirmam que o livro pode servir como um ensaio da realidade. A partir do 7 anos, quando a fantasia não dá conta de responder a todas as perguntas, a criança pode entrar em crises existenciais e aparecer angústias. E ai que entram os livros mais uma vez, ajudando a sair do terreno lúdico.

Dessa forma podemos entender que os livros são ponto de partida para abordar temas delicados com as crianças.

Na sua opinião, qual é o tema mais difícil para falar com as crianças? Algum livro já ajudou a abordar o tema?

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